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XII Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção

Os trabalhos de organização do XII Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção (SBSP) já foram iniciados. A diretoria da SBSP eleita para o período janeiro 2017 a dezembro de 2018, reuniu-se em três ocasiões com professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), pesquisadores da Epamig e representantes da Emater, em Belo Horizonte e Viçosa (MG), para discutir sobre o tema do congresso, comissões e data de realização.

Na terceira reunião, ficou definido que o XII Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção (XII CSBSP) será realizado 2018 na Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa (MG) em data ainda a ser definida e terá como tema principal “Agricultura: Educação, Cultura e Natureza”.

Sobre este tema, o Prof. Shigeo Shiki escreveu um texto de apresentação do XII Congresso da SBSP:

A Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção realiza a cada biênio o seu Congresso Científico, para fazer avançar as discussões sobre as transformações na agricultura brasileira, utilizando o enfoque sistêmico, tendo como horizonte o desenvolvimento rural.

A agricultura, no seu sentido lato de cultivo do agro, sofre transformações socialmente construídas nos seus diferentes territórios, constituindo no seu devido tempo histórico, qualificativos que caracterizam um tipo de sistema de produção. Assim, a agricultura se qualifica como itinerante, extensiva (tradicional), intensiva (moderna), orgânica, ecológica, familiar. A agricultura familiar ganhou um significado maior e mais concreto por ter sido transformado em objeto de uma política específica e porque representam mais de 90% dos agricultores brasileiros. Daí se constituir no foco principal das pesquisas da SBSP. Dentro da agricultura familiar, os sistemas agroecológicos vêm ganhando espaços cada vez maiores, constituindo-se numa real alternativa de produção. Quais são os entraves para essa conversão? É a grande questão do momento.

A “agri-cultura” se diferencia do “agro-negócio” (ou “complexo técnico-científico-empresarial” como diz Porto-Gonçalves). Essa distinção ganha relevância enquanto traduz lógicas distintas de funcionamento do sistema de produção.

Nessa perspectiva, a agricultura tem o sentido de resgate social da cultura, não somente de cultivo agrícola, mas de idéias, comportamentos, símbolos e práticas sociais de produção. Neste conceito, o saber científico sobre agricultura produzido na academia requer interação com saberes já adquiridos dos agricultores locais, num dinâmico processo de produção de conhecimentos. O protagonista é o agricultor e sua família, o camponês em algumas sociedades, que trabalha o seu agro natural ou agroecossistema para produzir.

Na agricultura, o conhecimento científico gerado nos centros de pesquisa não deve ser meramente transmitido ao agricultor como na dinâmica de difusão de tecnologia proposta por E. Rogers. Os conhecimentos laboratoriais são hibridados com os conhecimentos locais, estes impregnados de tradições, costumes, ideias próprias do local, ou seja, explicitando a cultura local, para se transformar em prática produtiva. O resultado é um aprendizado coletivo no qual a educação é entendida como um processo de socialização do conhecimento, não um processo mecânico, linear, de transferência. O agricultor é um participante ativo deste processo.

Na agricultura, cultura e natureza são inseparáveis, como esclarece Enrique Leff (2009). A natureza é intrinsecamente parte do processo social de produção, não algo externo, agindo e reagindo de maneira positiva se este estímulo atender ao modo de funcionamento dos ecossistemas e/ou da sociobiodiversidade; ou negativa se estes estímulos tenderem a destruir, poluir, enfim alterar profundamente o funcionamento dos ecossistemas. Assim, o sistema de produção que não causa danos à natureza e cultura, o suporte de toda função vital no Planeta, é uma premissa a ser guardada em todos os sistemas estudados. 

No agronegócio, o cultivo do campo perde o significado cultural por força do capital no seu modo de produzir e no seu objetivo de obtenção de lucro, fruto do negócio. A lógica do capital objetivada na forma mecânica, química e biotecnológica substitui os saberes e o trabalho dos agricultores, convertendo o agro num mero substrato para a realização do capital. Essa é a trajetória de transformação que domina o agronegócio, que como todo negócio capitalista, é altamente excludente, concentrador de terra e da renda, aprofundando a desigualdade e conflitos no campo. É um sistema de produção que exclui a cultura no seu sentido lato, por isso deixa de ser agricultura.

Esse é um importante embate que se coloca na sociedade agrária brasileira, nas manifestações científicas, culturais, políticas, econômicas e sociais, cujas nuances e especificidades precisam ser explicitadas num evento como este Congresso da SBSP.

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